Ela sonhava em ser escritora. Sonhava com sua biografia estampada nos outdoors da vida.
No espelho, fazia monólogos, e apenas ela podia sentir sua angústia, sua alegria, retratadas por si mesma nesses lindos monólogos.
Não dá para fingir que ela não se achava a melhor roteirista de si própria.
Encantava-se com o som da chuva, o cheiro de terra molhada e o voo das borboletas, que deixava o jardim mais colorido.
Ela é feliz sem plateia. Não precisa que ninguém a elogie. É mais feliz nesse mundo que só ela consegue enxergar tão profundamente.
E, todos os dias, ela escreve, apaga e reescreve seus lindos monólogos.
E quem vai apresentá-los?
Tem dúvidas de que ela é capaz de emocionar seu espelho?

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