𝒸𝑜𝓁𝑜𝓇𝒾𝓃𝒹𝑜 𝒫𝑜𝑒𝓈𝒾𝒶𝓈

terça-feira, 31 de março de 2026

Platéia invisível





Ela sonhava em ser escritora. Sonhava com sua biografia estampada nos outdoors da vida.

No espelho, fazia monólogos, e apenas ela podia sentir sua angústia, sua alegria, retratadas por si mesma nesses lindos monólogos.

Não dá para fingir que ela não se achava a melhor roteirista de si própria.

Encantava-se com o som da chuva, o cheiro de terra molhada e o voo das borboletas, que deixava o jardim mais colorido.

Ela é feliz sem plateia. Não precisa que ninguém a elogie. É mais feliz nesse mundo que só ela consegue enxergar tão profundamente.

E, todos os dias, ela escreve, apaga e reescreve seus lindos monólogos.

E quem vai apresentá-los?

Tem dúvidas de que ela é capaz de emocionar  seu espelho?



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