Apertei o botão do elevador tentando parecer indiferente, mas sentia aquele olhar atravessar minha calma ensaiada. Ele estava ali, parado, com seus olhos verdes fixos em mim como se já me conhecesse.
Virei o rosto. Ajustei o cabelo. Observei o reflexo no espelho dourado do elevador. Ele continuava me olhando — sem pressa, sem vergonha, apenas certeza.
O elevador parou no quarto andar.
As portas se abriram lentamente. Era o meu andar. Eu poderia sair. Deveria sair.
Mas não saí.
Havia algo naquele silêncio que me prendia. Uma curiosidade perigosa. Um desejo ainda sem nome.
Então fiz o impensável.
Deixei meu corpo ceder.
Ele me segurou antes que eu tocasse o chão. Seus braços eram firmes, quentes, seguros. O perfume dele misturou-se ao meu, criando uma proximidade íntima demais para dois desconhecidos.
— Você está bem? — perguntou, a voz baixa, próxima ao meu ouvido.
Abri os olhos devagar, como se estivesse despertando. Sussurrei o número do meu apartamento.
Ele me carregou pelo corredor em silêncio. Cada passo ecoava como um segredo sendo escrito. Ao entrar, colocou-me cuidadosamente no sofá da sala.
Mas não se afastou.
Ficou ali. Perto demais.
Seus olhos percorreram meu rosto com intensidade, como se buscassem permissão. Meu coração batia rápido. O dele também.
Não houve discursos. Não houve promessas.
Houve apenas o silêncio carregado de intenção.
O primeiro toque foi hesitante. O segundo, inevitável.
E ali, entre o sofá e a respiração descompassada, nos entregamos à chama que havia começado dentro de um elevador.
Depois, veio o silêncio novamente.
Preparei café para quebrar a tensão. Ele vestiu a camisa branca com calma, como se quisesse gravar cada detalhe daquele momento.
Sentou-se e tomou o café devagar, até que esfriasse.
Eu observava cada movimento de seus lábios, tentando memorizar o que talvez nunca mais acontecesse.
Ele saiu pelo mesmo elevador onde tudo começou.
E ficou em mim.
No cheiro impregnado no sofá. No eco dos passos no corredor. No espaço vazio ao meu lado.
Desde então, todos os dias, aperto o botão do elevador no quarto andar com a esperança silenciosa de que as portas se abram…
E que aqueles olhos verdes estejam lá outra vez.