𝒸𝑜𝓁𝑜𝓇𝒾𝓃𝒹𝑜 𝒫𝑜𝑒𝓈𝒾𝒶𝓈

domingo, 17 de setembro de 2023

Rabiscos da alma

Trancada no meu próprio mundo,
um lugar que só existia dentro de mim,
esqueci de viver.

Deixei o tempo passar em silêncio,
entregando tudo
às mãos do acaso.

A caneta…
era minha única voz.
Em papéis soltos,
eu rabiscava sentimentos
que nem eu mesma compreendia.

Ou talvez compreendesse…
Mas havia verdades
que doíam demais para aceitar.
No fundo, eu sabia:
era a solidão me consumindo,
lenta…
e silenciosamente.

Mas quem eu seria
sem os meus rabiscos?
Sem essas marcas tortas
que carregavam pedaços de mim?

Eu não sei…
Sempre me faltava algo.
Sempre havia um vazio
que ecoava dentro do peito.

Então eu deixava…
Deixava que a velha caneta,
manchada de tempo e tinta,
falasse por mim.

Mesmo quando nem ela
já parecia me entender.
E, ainda assim…
era eu.

Eu, ditando em silêncio
frases que nasciam da alma,
tentando, talvez,
me encontrar
em meio aos meus próprios rabiscos.

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