Mãe,
eu sentia orgulho de ser seu filho…
Mas, mãe…
quantas vezes precisei de você
e você nem percebeu?
Sempre cercada de vozes, risos, amigas…
enquanto o meu silêncio
gritava por você.
Quantas noites eu adoeci
e esperei seus cuidados…
mas você não veio.
Eu estava ali, mãe…
tão perto…
e, ainda assim, invisível.
Você me chamava de vagabundo,
sem ver o peso que eu carregava.
Sem notar
que minhas lágrimas caíam caladas
no mesmo sofá onde você me julgava.
Suas palavras…
eram lâminas.
E, aos poucos,
foram me cortando por dentro.
Mãe,
você achou que eu era eterno, não foi?
Que sempre estaria ali,
esperando um gesto,
um carinho,
um “eu te amo”…
Mas ele nunca veio.
Minhas avós…
ah, elas sim sabiam me amar.
Com pouco, me deram tudo:
o afeto
que me faltava em você.
Mas, mãe…
eu só queria você.
Só queria ouvir
que eu era importante,
que eu era motivo,
que eu era amor.
Mas você nunca disse…
E o silêncio
foi me levando embora
antes mesmo da despedida.
Hoje…
você chora.
Diz que me ama,
que seu mundo acabou.
Engraçado, mãe…
eu não sabia
que era tudo isso pra você.
Você nunca me contou.
Agora é tarde…
O espetáculo terminou,
as cortinas se fecharam.
E você não viu
o ator principal
brilhar.
Mas, mesmo assim, mãe…
eu nunca deixei de te amar.
Hoje, sou só saudade,
um sussurro leve,
um anjo distante…
Mas ainda sou seu filho.
E, mesmo de longe,
eu nunca vou te abandonar.

Nenhum comentário:
Postar um comentário